quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Cuidar dum Bicho de Estimação

Com freqüência, os bichos de estimação são adquiridos de modo súbito, talvez mediante os esforços dum dono dum bichinho em passar adiante sua prole indesejável. Mas, à medida que cresce aquela bolinha fofa de vida, também crescem as responsabilidades. A Bíblia, em Provérbios 12:10, comenta: “O justo importa-se com a alma do seu animal doméstico.” Às vezes, não é tarefa pequena.

Os gastos com bichos de estimação incluem o custo dos alimentos e de tratamentos veterinários. Estes podem incluir a eliminação de vermes e vacinas, bem como serviços especiais em caso de doença e acidentes.

O tempo está envolvido, também. Enfeitar, dar banho, alimentar, treinar, exercitar e cuidar, mostrar afeição e dar disciplina a tais bichos, tudo leva tempo. Naturalmente, a quantidade de tempo varia conforme o bicho e as pessoas.

Daí, existe a responsabilidade que se tem para com o bicho e para com os outros. Por exemplo, os cães desejam o companheirismo humano, e é preciso gastar tempo com eles. Também precisam dum abrigo adequado ao seu tamanho. Certa autoridade lamentou “o número de pessoas que moram em casas com pequenos terraços que possuem afegães ou grandes dinamarqueses”. Caso as grades não sejam bem conservadas, os cães podem fugir, causando a destruição de propriedades alheias, sujando a rua e tornando-se um perigo para o trânsito. Às vezes, bichos barulhentos podem incomodar os vizinhos. Bichos exóticos podem ser excitantes por algum tempo, mas amiúde não são apropriados para se ter em casa. Tanto o animal como seu dono podem sofrer.

Na moderna vida citadina, os donos de bichos de estimação podem ter grandes problemas em encontrar um local adequado para eles. Também, quando a pessoa viaja, cuidar de seu bicho de estimação pode ser difícil ou custoso.

Cães e gatos vadios, não raro de famílias que não cuidam de seus bichos, constituem grandes problemas em muitas cidades. Na Austrália (com 14 milhões de habitantes), cerca de 50.000 cães vadios ou indesejáveis, e muitos mais gatos, são mortos cada ano. Por isso, muitos donos de gatos e cachorros mandam esterilizar seus bichos de estimação, caso não tencionem que se reproduzam. Isto também desestimula os animais, especialmente os machos, de fugir.

Por Que as Pessoas Possuem Bichinhos

A Encyclopaedia Britannica tece o comentário: “Ter bichinhos de estimação satisfaz a uma profunda necessidade humana universal, e os bichinhos de estimação são encontrados em todo nível cultural.”

Numa recente enquête na Austrália, indagou-se às pessoas por que possuíam um bichinho de estimação. A razão destacada que forneceram era de que queriam companhia. No caso dos cães, por que queriam proteção, e, em alguns casos, também foi mencionado serviços úteis. Alguns tinham bichinhos com finalidades de procriação. Outros consideravam seus bichinhos como ajuda para descontração.

Muitos pais acham que ter um bichinho de estimação pode ser uma vantagem para seus filhos. Pode fornecer prazer e companhia e prover-lhes conhecimento de primeira mão sobre a vida animal. Ao presenciarem o acasalamento, a gravidez e o parto, e o cuidado da prole, pode ajudar os jovens a entender o milagre da procriação. Por outro lado, deparar com a doença e até com a morte dum bichinho de estimação pode preparar uma criança para as duras realidades da vida atual.

Os bichinhos fornecem a oportunidade de inculcar nos filhos que deles depende outra vida. Com muita freqüência, os pais compram bichinhos para jovens ansiosos de possuí-los, apenas para verificar que, passada a novidade, são eles próprios que têm de cuidar do bichinho. Mas a mãe cuja experiência foi relatada no início deste artigo lembra-se sobre a sua filha: “Quando ela tinha bichos-da-seda, ela tinha regularmente de descer a rua à cata de folhas de amoreira. Lavar, pentear e dar comida ao cachorro era também responsabilidade dela, embora costumássemos ajudá-la às vezes. Ensinamo-lhe a jamais ser cruel com os animais e a elogiar e recompensar o cão quando ele fosse bonzinho. Quando ela fazia isso, ele costumava levantar os seus olhinhos expressivos, e seu rabinho grosso fazia virtualmente que todo o cão se sacudisse!”

Crianças que são deficientes mentais e físicos acham-se entre os que se beneficiam do contato com bichinhos. Isso pode ajudar as crianças a descontrair-se e ajustar-se melhor ao seu ambiente.

É comum achar donos de bichinhos entre os casais de todas as idades que não têm filhos em casa. O desafio envolvido, junto com o jeitinho brincalhão e a afeição dum bicho de estimação, às vezes atuam como substituto de se ter crianças por perto. Muitas pessoas solitárias e idosas derivam grande prazer e benefícios do companheirismo, da afeição, da lealdade e, por vezes, da proteção de seus bichos de estimação.

Uma triste realidade no colapso das relações humanas é que, às vezes, as pessoas mais idosas que vivem sozinhas podem ficar obsessivamente ligadas aos bichos de estimação. Relatou certo assistente social: “Certo cavalheiro idoso precisava de cuidados médicos devido a seu dedo infetado do pé. Ele adiou a busca de tais cuidados durante meses, porque isso poderia significar ficar sem seu cão. . . . Tal senhor perdeu a perna devido à gangrena, mas se sentia feliz conquanto pudesse ver seu cão.” Sabe-se de gente idosa que morreu logo depois de perder um bichinho amado.

Mas, excluindo-se os excessos em que os bichos de estimação são copiosamente acariciados e tratados como se fossem humanos, os bichos de estimação, em seu devido lugar, podem constituir uma parte feliz e útil da vida de muitas famílias e indivíduos.

Os bichinhos de estimação e seus donos

Do correspondente de “Despertai!” na Austrália

“AINDA posso lembrar-me disso como se fosse ontem, embora já se tenham passado muitos anos. Ouvia-se um gritinho de deleite e então minha menininha aparecia e declarava, orgulhosa: ‘Mamãe, nasceu outra gatinha.’ Daí, ela sumia de novo para esperar nascer a gatinha seguinte.

“A vida animal a fascinava. Certo dia, ela trouxe uma criaturinha de uns 2,5 centímetros, aninhada em sua mão fechada em forma de concha. ‘Veja só Mamãe, peguei uma gatinha realmente pequena.’

“‘Não, querida, isso é uma lagarta’, expliquei-lhe.

“‘Não é’, foi sua resposta enfática, ‘é cheia de pêlos. É uma gatinha pequenininha!’”

“Em certo estágio, tínhamos tanto um gato como um cachorro da raça cocker spaniel. Ainda rio quando me lembro de como brincavam juntos. O gato às vezes colocava suas patas em volta do pescoço do cão e lambia a face dele. O cão simplesmente fechava os olhos e ficava ali parado, extasiado.”

A experiência desta mãe comprova que os bichinhos de estimação são certamente populares. Duas de cada três famílias na Austrália possuem pelo menos um. Os cães são os mais comuns, seguidos por gatos, pássaros e peixes. Também, mantêm-se cavalos e pôneis, cangurus-ratos (pequenos cangurus), coelhos, cobaias, camundongos, tartarugas, lagartixas e caracóis, para não se mencionar os bichinhos de estimação mais exóticos, tais como pavões, cobras e morcegos.

Talvez possua um bichinho de estimação. Ou talvez esteja pensando em obter um para si, para seus filhos ou para outrem. Mesmo que a pessoa apenas more perto ou conheça pessoas que têm tais bichinhos, considerar o relacionamento entre as pessoas e os bichinhos de estimação poderá ser útil.